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Flávio Bolsonaro nos EUA: chegada, trajeto e carta

Avião pousou às 10h23 de Brasília no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka; senador contesta resultado eleitoral em documento, sem apresentar provas de fraude.

Flávio Bolsonaro nos EUA: chegada, trajeto e carta
Imagem criada com IA e texto da primeira página da carta na integra, no final do artigo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28 de outubro, acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e fazer escala no Equador. A aeronave pousou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, às 9h23 no horário local — 10h23 de Brasília.

Horas depois, o parlamentar divulgou uma carta em que se apresenta como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, questiona a votação de domingo (25) e anuncia que pretende liderar a oposição do exterior. O documento não apresenta provas de fraude. O resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral aponta a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.


Qual foi o trajeto até os Estados Unidos?

Segundo apurações, Flávio percorreu por terra o caminho entre Brasília e Foz do Iguaçu, no Paraná. A etapa seguinte foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina: a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz a Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27). O órgão argentino informou que os viajantes apresentaram documentação válida para entrar no país, mas não especificou qual documento o senador utilizou.

Em Puerto Iguazú, o grupo embarcou em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly. O voo seguiu para Guayaquil, no Equador, antes de continuar até a Flórida. Os registros oficiais e o desembarque desta quarta corrigem informações que circularam na terça-feira, quando fontes já afirmavam que o senador estaria em território americano.

Etapa Horário informado Base da informação
Entrada na Argentina pela Ponte Tancredo Neves 27/10, às 22h50 Direção Nacional de Migrações argentina
Embarque no voo privado em Puerto Iguazú 27/10, às 23h30 Comunicado argentino
Decolagem para Guayaquil 28/10, por volta de 0h20 Cronologia publicada pela imprensa
Escala no Equador Madrugada/manhã de 28/10 Monitoramento do voo e cobertura jornalística
Pouso em Miami-Opa Locka 28/10, às 10h23 de Brasília — 9h23 em Miami Rastreamento informado pelo UOL

Os horários da fronteira e do embarque correspondem ao mesmo fuso de Brasília. Embarque e decolagem são etapas distintas.

O que Flávio escreveu na carta?

No documento, Flávio agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, contesta a legitimidade da eleição e atribui sua saída do Brasil ao que considera perseguição política. Ele nega ter fugido, afirma que a família está em segurança e promete apresentar uma estratégia de mobilização da oposição por meios que descreve como pacíficos e legítimos. Essas são posições do senador, e não conclusões comprovadas pela reportagem.

Um dos argumentos da carta é a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF. Segundo o TSE, porém, foram registrados aproximadamente 34 mil votos após as 17h. A diferença final entre Lula e Flávio foi de 4.430.191 votos. Esses números não sustentam a hipótese de que os votos registrados após o horário habitual tenham, por si, invertido o resultado.

Por que a saída do Brasil gerou controvérsia?

A viagem ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibia a saída do senador do país e exigia a entrega de passaportes, conforme a cobertura da CNN Brasil. A medida está relacionada a uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. O senador nega irregularidades e classifica a atuação judicial como perseguição política. Investigação não equivale a condenação.

Na segunda-feira (26), Flávio havia afirmado publicamente que entregaria os documentos e permaneceria no Brasil. A posterior saída pela Argentina explica parte da repercussão política. A autorização argentina para ingressar em seu território, por sua vez, não esclarece nem resolve a questão do cumprimento da ordem judicial brasileira.


Trump apoiou a entrada? Flávio recebeu asilo?

Trump declarou ser favorável à entrada de Flávio e de sua família, segundo a Reuters. Sobre a situação migratória, a Folha de S.Paulo informou ter consultado um registro americano que autoriza a permanência por um ano, até outubro de 2027, classificado como autorização humanitária. A reportagem distingue esse registro de um visto. As fontes consultadas não confirmam a concessão de asilo político, e o apoio à entrada não deve ser apresentado como reconhecimento da autodeclaração de Flávio como presidente eleito. reuters.

O que ainda não está esclarecido?

O desembarque em Miami está documentado, mas as fontes consultadas não permitem afirmar qual será a residência da família, se haverá encontro com Trump ou quando o senador pretende retornar ao Brasil. A carta expressa a posição política de Flávio e não modifica o resultado oficial da eleição.

Texto original da carta escrita por Flávio Bolsonaro:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do

[O texto continua...]

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