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Onde está Flávio Bolsonaro? Viagem aos EUA após ordem de Moraes surpreende aliados

Fontes disseram à Reuters que o senador viajou aos Estados Unidos; empresário ligado a Trump afirma que ele já chegou, mas detalhes da operação não foram confirmados oficialmente

Onde está Flávio Bolsonaro? Viagem aos EUA após ordem de Moraes surpreende aliados

Um dia depois de dizer que não pretendia deixar o Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser procurado por aliados que afirmavam não conseguir contato com ele. Nesta terça-feira (27), um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo americano disseram à agência Reuters que Flávio viajou aos Estados Unidos.

A notícia veio após a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A decisão também o proibiu de deixar o país. O trajeto da viagem e o local exato onde Flávio estaria ainda não estavam esclarecidos nas informações consultadas.

Flávio chegou aos Estados Unidos?

Há relatos de que sim, mas com níveis diferentes de confirmação. A Reuters informou, com base em duas fontes, que o senador viajou aos EUA. Mais tarde, o empresário mexicano Simón Levy, apresentado como apoiador de Donald Trump, afirmou nas redes sociais que Flávio já havia chegado ao país. A declaração sobre a chegada ainda dependia de confirmação oficial independente.

Também circularam informações de que o senador teria passado pela Argentina. As autoridades argentinas, porém, informaram não ter registro de sua entrada no país. Assim, não é possível afirmar, com segurança, qual caminho ele teria percorrido.



Trump está ajudando o senador?

Simón Levy afirmou que a ida de Flávio teria sido resultado de uma articulação liderada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Até as informações consultadas para esta reportagem, porém, não havia confirmação oficial dos governos americano ou brasileiro sobre essa suposta operação, nem comprovação pública de participação pessoal de Trump na viagem.

A relação política entre a família Bolsonaro e setores do governo americano já era conhecida: Flávio foi recebido por Trump na Casa Branca em maio. Uma investigação da Reuters também relatou esforços de integrantes da administração americana para favorecer politicamente a família Bolsonaro, embora a agência tenha apontado que não estava claro o grau de participação direta da Casa Branca nessas iniciativas. Isso não comprova, por si só, apoio à viagem atual.



Ordem judicial e reação de Flávio

Moraes determinou a entrega dos passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades. Segundo a Reuters, o prazo terminou na manhã desta terça sem a entrega dos documentos, que foram cancelados pela Polícia Federal.

Na véspera, Flávio havia declarado que não pensava em deixar o Brasil, que entregaria os passaportes e que se defenderia da decisão, a qual classificou como tentativa de intimidação. Procurada pela Reuters após os relatos da viagem, sua defesa não respondeu imediatamente.

Aliados temem impacto na oposição

A notícia surpreendeu parte do entorno político do senador. Segundo a CNN Brasil, aliados ouvidos reservadamente disseram temer que sua ausência enfraqueça a reorganização da oposição após a derrota eleitoral; um deles considerou a possível saída “inaceitável”. As declarações foram feitas quando a viagem ainda era tratada por eles como uma possibilidade.

A preocupação é reforçada por uma promessa feita pelo próprio Flávio na segunda-feira: ele disse que pretendia reunir deputados e senadores para organizar a oposição ao próximo governo Lula. Até o momento das informações consultadas, não havia confirmação de pedido ou concessão de asilo nos EUA.

Fontes: Reuters*,  reproduzida pelo Investing.com; Agência Brasil, sobre a declaração de Simón Levy; e CNN Brasil, sobre a reação de aliados.

*Reuters é uma das maiores agências de notícias internacionais do mundo, com sede em Londres, Reino Unido.

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