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Caiçarada celebra raízes de Ubatuba com fandango, canoas e sabores tradicionais

Festival ocupou a Avenida Iperoig por três dias e aproximou o público dos saberes caiçaras, quilombolas e populares da cidade.

Caiçarada celebra raízes de Ubatuba com fandango, canoas e sabores tradicionais

O som da viola, o ritmo do fandango e as canoas no mar lembraram que a história de Ubatuba não está apenas nos livros: ela continua viva nas comunidades, nas festas, na culinária e nos saberes transmitidos entre gerações.

A 18ª edição do Festival de Cultura Popular Caiçarada reuniu artistas, mestres da cultura, grupos tradicionais, artesãos e cozinheiros entre os dias 28 e 30 de agosto, na Praça de Eventos da Avenida Iperoig, em frente à Praia do Cruzeiro.

Durante três dias, moradores e visitantes acompanharam apresentações de fandango, maracatu, capoeira, congada e música regional. A programação também abriu espaço para a culinária caiçara e quilombola, o artesanato local e uma das tradições mais ligadas à vida no litoral: a corrida de canoas.

Fandango e maracatu abriram a festa

A programação começou na sexta-feira (28) com o maracatu do grupo Folha de Mariwô. O Fandango Caiçara de Ubatuba e o Fandango Ciranda Caiçara também levaram à praça músicas e danças que fazem parte da identidade cultural do município.

“O Menor Forró do Mundo” movimentou o espaço de exposições, enquanto Gui da Sanfona e o grupo Arrasta Pélvis se apresentaram na casa construída com a técnica de pau a pique.

Mais do que parte do cenário, a construção representou um modo tradicional de erguer moradias com materiais como terra e madeira — conhecimento associado à história de comunidades rurais e tradicionais.

No sábado (29), a programação reuniu a capoeira do grupo Arte Universal Escravo Quilombo, a Congada de Bastões São Benedito e os grupos de fandango Mestre Pedrinho, Caiçara do Prumirim e Bacurau. A noite também contou com show da banda Nako & Rafael.

Canoas ocuparam o mar no domingo

O último dia da Caiçarada começou na Praia do Cruzeiro com a tradicional Corrida de Canoas, reunindo participantes de diferentes regiões de Ubatuba.

A atividade trouxe para o centro da programação uma embarcação profundamente ligada à trajetória das comunidades caiçaras. Por gerações, as canoas foram utilizadas na pesca, no transporte e na ligação entre praias e bairros costeiros.

À tarde, as apresentações continuaram na praça com o Grupo Senzala de Capoeira e o maracatu de Baque Elevado. No começo da noite, o Festival de Viola “João Alegre” encerrou a programação musical.

Sabores e trabalhos produzidos em Ubatuba

A cultura tradicional também foi apresentada por meio dos sabores. Barracas instaladas no evento ofereceram pratos da culinária caiçara e quilombola, aproximando o público de receitas e modos de preparo mantidos pelas comunidades locais.

O setor de artesanato da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart) levou ao festival trabalhos de artesãos do município. A participação ajudou a divulgar a produção local e criou oportunidades de comercialização durante os três dias.

A Caiçarada reuniu trabalhadores de diferentes áreas, entre músicos, comerciantes, cozinheiros, produtores culturais e artesãos. Dessa forma, o festival também movimentou uma cadeia ligada à economia criativa e à preservação do patrimônio cultural.

Tradições que continuam depois do festival

Organizada pela Fundart, com apoio da Prefeitura de Ubatuba, a Caiçarada busca dar visibilidade às expressões que formaram a identidade da cidade.

Para o presidente da fundação, Durval Netto, o encerramento da programação não representa o fim das manifestações apresentadas durante o evento.

“A Caiçarada termina, mas os saberes, as histórias, os sons e tradições que deram vida ao festival seguem presentes na cultura da cidade”, afirmou.

Ao reunir diferentes gerações no mesmo espaço, o festival contribui para que práticas culturais não permaneçam restritas às comunidades que as preservam. Elas chegam a novos públicos, fortalecem a memória coletiva e mostram que a cultura caiçara continua em movimento.

Fonte consultada: Prefeitura de Ubatuba e Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart).

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